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Anvisa aprova medida para eliminar gordura trans até 2023


A Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) aprovou ano passado uma proposta para eliminar a gordura trans, associada a vários problemas de saúde, em produtos industrializados. A nova resolução prevê a diminuição gradativa do seu uso pela indústria e por serviços de alimentação, como restaurantes e padarias, chegando ao banimento em 2023.

Atualmente, não há um limite estabelecido para essa gordura, também chamada de hidrogenada. E um estudo do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) alerta que alguns itens tidos como “zero trans” na verdade carregam a substância.

Esse processo acontecerá em três fases. A primeira consiste em limitar sua presença na produção de óleos refinados — aqueles utilizados para frituras, feitos à base de soja, girassol, canola. As empresas têm 18 meses para se adequar. A restrição, portanto, deve entrar em vigor em 1º de julho de 2021.

A partir daí, a delimitação se estenderá à comida processada em geral, comercializada no varejo e atacado. Nesse momento, a regra ainda não valerá para itens usados exclusivamente como matéria-prima para fins industriais.

Por fim, a última fase prevê a exclusão do ingrediente em todos os industrializados. Isso ocorrerá a partir do 1º de janeiro de 2023.

Além disso, a área de Alimentos da Anvisa sugeriu a adoção de medidas regulatórias complementares. Uma é elaborar guias sobre as opções tecnológicas disponíveis que substituem a gordura trans na produção das comidas. Esses manuais orientariam os fabricantes.

Há três tipos de gordura: a insaturada, conhecida como “gordura boa”; a saturada, que até pode beneficiar o organismo quando consumida com bastante moderação; e a trans, que não é recomendada em nenhuma situação.

Entre outras coisas, ela aumenta os níveis de colesterol LDL e baixa os de HDL, levando ao entupimento das artérias e, consequentemente, a problemas cardiovasculares. Vale lembrar que, em 2016, essa foi a causa de quase metade das 34,4 milhões de mortes por doenças crônicas não transmissíveis no mundo.

A gordura trans é encontrada em quantidades mínimas nas carnes de animais ruminantes e seus derivados. Mas a grande preocupação é a versão criada em laboratório (a hidrogenada, como dissemos antes). Ela serve para dar textura e crocância a guloseimas, como biscoitos, salgadinhos e bolos prontos.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), não mais do que 1% das nossas calorias diárias poderiam vir da gordura trans. Em uma dieta de 2 mil calorias, daria para ingerir apenas 2,2 gramas do nutriente, por exemplo.

Além disso, em maio passado, a OMS alertou que 5 bilhões de indivíduos no planeta correm risco de desenvolver doenças relacionadas ao consumo de gordura trans. Estima-se que o ingrediente cause 500 mil óbitos anualmente em todo o mundo. No Brasil, as doenças cardiovasculares são a principal causa de óbitos e de internações hospitalares.

O Brasil não é o primeiro país a implementar uma medida de banimento do ingrediente. Esse posto pertence à Dinamarca, que o restringiu no ano de 2003. Em 2018, foi a vez dos Estados Unidos.



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